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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A INCOMPATIBILIDADE ENTRE ESPIRITISMO E CRISTIANISMO


Artigo completo a ser apresentado no III Simpósio Internacional de Ciências da Religião, em Setembro/2010, na Unicap.

Título original do Artigo: A IMPOSSIBILIDADE LÓGICA DE UM DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO TEÓRICO/DOUTRINÁRIO ENTRE O ESPIRITISMO E O CRISTIANISMO

INTRODUÇÃO

É possível ser um Cristão Católico e acreditar nos pressupostas da doutrina Espírita? Um fiel Católico Romano, por exemplo, pode, ao mesmo tempo e de forma coerente, acreditar na Ressurreição e na Reencarnação? Existe a possibilidade de convergência entre esses pensamentos que foram, ao longo da história, sempre tratados como antagônicos? Pode haver um intercâmbio de doutrinas e idéias entre Cristãos Católicos e o Espiritismo, sem um interesse proselitista? São questões intrigantes que aguardam respostas.

Cada vez mais o Espiritismo ganha a simpatia de Cristãos brasileiros, em detrimento de ser o Brasil o maior país Católico do mundo. Curiosamente é também o maior país espírita do mundo, segundo organização Espírita[1].

De acordo com o Censo 2000 (IBGE)[2], há 2,3 milhões de espíritas no Brasil. Esse número, obviamente, é contestado pelos espíritas. Um dos mais conceituados médiuns e oradores espíritas da atualidade, Divaldo Pereira Franco, fez a seguinte afirmação em seminário promovido pela Federação Espírita do Ceará – FEEC, em março de 2010: “Temos, segundo estatísticas, mais de sete milhões de espíritas. Mas elas não revelam a verdade [...]. Acho que temos por volta de 15 milhões de espíritas”[3].

Segundo a Revista Veja, esse número pode ser maior que o dobro:

Com uma resposta prática para essa questão crucial e a promessa de comunicação direta com os mortos, o espiritismo tornou-se a religião – ou, pelo menos, a segunda opção religiosa – de 40 milhões de brasileiros. Além dos espíritas professos, existe um número cada vez maior de fiéis de outras religiões, principalmente Católicos Romanos, que se dizem simpatizantes do Espiritismo, principalmente kardecista, e de seu maior ícone: o famoso médium brasileiro Chico Xavier[4].

Estima-se que, pelo menos, trinta por cento dos Católicos Romanos declaram e assumem acreditar, ao mesmo tempo, na Reencarnação e na Ressurreição. O estrondoso sucesso do filme Chico Xavier é uma clara demonstração da simpatia que esses brasileiros, nutrem pela doutrina Espírita. O filme bateu todos os recordes de bilheteria alavancando o cinema nacional, tendo arrecadado mais de vinte e oito milhões de reais, alcançando a incrível marca de seis milhões e cem mil espectadores.

Chaves, escritor Católico, considera a aproximação da Igreja Católica com o Espiritismo uma verdadeira evolução. Diz ele:

O autor desse livro é Católico. A evolução por que passa a igreja caracteriza-se também pela sua posição silenciosa e tolerante diante do crescente número de católicos que estão abraçando a Teoria da Reencarnação em todo o mundo. Trata-se do que já dissemos: a pluralidade de idéias e a unidade na diversidade na Igreja e em todo o Cristianismo da atualidade[5].

E ainda: “Há muitas pessoas que afirmam convictamente que a Reencarnação não está na bíblia. O autor deste livro também foi uma pessoa que pensava assim. Mas ela está, só que de um modo oculto, esotérico ou velado[6]”.

Essa estreita e estranha aproximação dos Cristãos, especialmente Católicos Romanos, com o Espiritismo e com a doutrina da Reencarnação será alvo de nossa reflexão neste artigo. Obviamente que o problema que trataremos aqui não está ligado a juízo de valores. Não será nosso foco a análise da veracidade da doutrina da Reencarnação ou mesmo da principal doutrina Cristã: a Ressurreição.


O problema que se interpõe aqui é se um Cristão, especialmente o Católico, pode, de forma coerente, nutrir, ao mesmo tempo, fé na Ressurreição e na Reencarnação, bem como em outros pressupostos basilares do Cristianismo e do Espiritismo.

Tentaremos demonstrar que esses dois “conceitos doutrinários confessionais” são auto-excludentes; ou seja, para acreditar em um é necessário, automaticamente, descartar o outro, sob pena de incoerência e conflito de idéias.

1- A COERÊNCIA ESPÍRITA FACE AO CRISTIANISMO CATÓLICO

Essa aproximação entre Espiritismo e Cristianismo, especialmente Católico, se dá apenas de forma unilateral, ou seja, enquanto, desavisadamente, muitos Cristãos simpatizam e se envolvem com a doutrina Espírita, eles, por sua vez e de forma muito coerente, pretendem se afastar cada vez mais desse Cristianismo.

Um exemplo clássico desse “coerente” distanciamento do Espiritismo em relação ao Cristianismo Católico é a mudança de nome do mais famoso médium Brasileiro, Chico Xavier:

O seu nome de batismo, Francisco de Paula Cândido, dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento foi substituído pela alcunha pela qual ficaria conhecido, Francisco Cândido Xavier, logo que ele rompeu com o catolicismo[7].
Ainda que outros motivos sejam apresentados como causa da mudança de nome do médium brasileiro, não há como negar o motivo religioso.

Essa prática é comum em outras religiões e tem o objetivo de um rompimento profundo com a situação anterior. O convertido ao Islã, por exemplo, ainda que não de forma obrigatória, costuma mudar seu nome de “batismo”. Tal prática sugere que o nome registrado na sua antiga religião pode ter ligações com o paganismo, politeísmo ou ainda com alguma característica de fé que deve, agora, ser negada. Funciona como uma espécie de “mudança” de cobertura espiritual. Vejamos sinteticamente a motivação da mudança de nome no Islã, para, por fim, concluirmos nossa argumentação sobre a decisão da mudança de nome de Xavier:

O costume remonta uma época (pré-Islâmica), onde o povo árabe, era composto por grandes politeístas e idólatras. Havia milhares de deuses, incluindo até mesmo a lua e o sol, chegando a existir ídolos feitos a partir de tâmaras [...]. Devido a isto, grande parte da população possuía nomes pagãos que iam contra o monoteísmo Islâmico, como por exemplo, Abdul Shams (Escravo do Sol). O Islam veio justamente para combater o politeísmo e reerguer o monoteísmo puro que fora anteriormente pregado por todos os profetas [...]. Tão logo o Islam começou a se expandir pela península arábica, os árabes, outrora pagãos, foram percebendo a grande quantidade de pessoas com nomes politeístas, a solução encontrada foi a substituição do nome verdadeiro por um nome pelo qual os membros da comunidade Islâmica passariam a chamar aquela pessoa. Uma espécie de apelido [...]. O costume se mantêm até hoje, sendo somente obrigatório quando o nome é claramente ofensivo ou pagão[8].

A mudança de nome de Xavier marca, definitivamente, uma mudança radical de religiosidade; uma negação real e contundente com os pressupostos mais basilares de sua antiga Religião. Nada mais coerente!

Muitos Cristãos querendo percorrer o caminho contrário julgam, ingenuamente, poder transitar tranquilamente entre o Cristianismo, especialmente Católico, e o Espiritismo.

Nesse sentido, o exemplo de Francisco Cândido Xavier deve ser seguido. Para crer nos mesmos pressupostos que ele creu, o Cristão, especialmente o Católico, deve, antes, romper definitivamente com tudo que o remete ao Cristianismo.

O Espiritismo pretende ser uma nova revelação, destinada – no dizer de AK – a instituir “a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar” (VII, 269). E como nova revelação o Espiritismo se ufana de ser a “terceira das grandes Revelações” (VI, 23). [...] na realidade o Espiritismo é visceralmente anticristão em seus princípios e doutrinas[9].

Apenas um olhar superficial será capaz de pensar que essa análise está baseada em metodologia tendenciosa em favor do Cristianismo. Naturalmente esse tipo de argumento sofre a acusação de ser leviano e de estar trilhando por uma espécie de etnocentrismo, como se o olhar crítico do Cristão sobre o Espiritismo estivesse carregado de altivez e de um sentimento quase nazista de superioridade. Isso absolutamente não é verdade. O Espiritismo, diante do tema, não assume a postura de inferioridade ou de alguém que está sendo perseguido. Antes, pelo contrário, como veremos, há todo um interesse de sua parte de se desvencilhar do Cristianismo, especialmente do Católico Romano. O Espiritismo não quer ser Cristão, como muitos supõem.

No Jornal Espírita, em sua edição nº 317 de 01/2002, na coluna “qual é sua duvida”, sobre o questionamento se o Espiritismo é Cristão, foi formulada a seguinte resposta, que transcrevemos com o objetivo de reforçar nossa argumentação de antagonismo entre Cristianismo e Espiritismo:

Se tivéssemos outro nome para nos designar talvez fosse bem melhor, pois se ser cristão e ter que aceitar os maiores absurdos só porque constam da Bíblia, é melhor não o sermos [...]. E diante de tantos absurdos que fizeram e ainda fazem os que se dizem cristãos, preferimos somente ser chamados de Espíritas [...]. Não podemos ficar sujeitos às interpretações e dogmas impostos por qualquer pessoa. E nisso o Espiritismo é ímpar entre as religiões[10].

Como fica claro, o Espiritismo quer ser identificado como outra Religião, que não a Cristã. Isso precisa ser entendido e respeitado. É quase uma afronta dizer que um Espírita é um Cristão, em certo sentido.

Não estamos dizendo que os Espíritas estão errados; muito menos que estão certos. Como já deixamos claro, não é esta a nossa intenção neste artigo. Apenas estamos demonstrando que, devido ao antagonismo de princípios, não há a possibilidade de ser um “Cristão convencional”, que tem seus pressupostos fundamentados na inerrância e inspiração da Bíblia e, ao mesmo tempo, um Espírita.

Insistimos nesse tema porque é mais do que claro que a maioria esmagadora dos “Cristãos” que simpatizam com os preceitos Espíritas e que dizem acreditar na “peculiar” doutrina Espírita da Reencarnação, são Cristãos apenas “nominais” ou que não possuem nenhum tipo de conhecimento doutrinário de sua própria igreja. Isto é, não sabem exatamente como sua igreja crê e, por isso mesmo, entendem não haver nenhum problema lógico-doutrinário em crer em um e no noutro, ao mesmo tempo.

Muitos, inclusive, consideram as explicações Espíritas mais convincentes que as de suas igrejas, contudo, insistem em permanecer nelas. Queremos apenas estimular uma tomada de decisão. Nenhum problema em optar pela interpretação Espírita dos fatos e da própria Bíblia. Contudo, a necessidade de abandonar a fé Católica, por exemplo, nesse caso, é a única condição de uma postura coerente. Isso, inclusive, é uma forma honrosa e respeitosa para com aqueles que crêem exatamente como suas igrejas entendem ser uma fé sadia. Há muitos Católicos que acreditam fielmente no que sua igreja ensina; por isso mesmo podem, coerentemente, ser chamados de Católicos e merecem respeito. Não é justo turvar a “água do pensamento doutrinário” Católico e ainda assim receber tal designação.

Os Bispos, de humildes adeptos, tornaram-se poderosos e autoritários [...]. O pensamento profundo de Cristo desapareceu. Só ficaram os símbolos materiais. Essa obscuridade tornava mais fácil governar as multidões [...]. A crença em Satanás e no inferno adquiriu lugar preponderante na fé cristã. Em vez da religião de amor pregada por Jesus, o que prevaleceu foi a religião de terror [...][11].

Chico Xavier, em revelação entregue pelo espírito Emanuel (cujo nome é bem sugestivo) que era “sacerdote católico em sua última reencarnação no Brasil”, afirmando acerca desse Espírito, declara que ele veio “a fim de levar pequena parcela de instrução sobre o catolicismo que, deturpando nos seus objetivos as lições do evangelho tornou-se uma organização política em que preponderam as características essencialmente mundanas”[12].

3- A NEGAÇÃO DA ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO
Passaremos a analisar apenas dois dos pontos mais melindrosos da fé Cristã, por conta de delimitação de espaço, negados veementemente pelo Espiritismo; fato que não é do conhecimento de muitos Cristãos, especialmente Católicos Romanos; “ignorância” essa que têm promovido o “intercâmbio religioso” entre essas antagônicas Religiões, no âmbito do chamado “Catolicismo Popular”. Além disso, abordaremos também a questão da caridade no Espiritismo e no Cristianismo.

Não iremos fazer citações para lastrear o pensamento Cristão por dois motivos óbvios: em primeiro lugar por conta de delimitação do tema de nosso artigo. Em segundo lugar, as doutrinas que serão abordadas abaixo não sofrem nenhum tipo de questionamento por nenhuma ramificação do Cristianismo, antes, pelo contrário, são doutrinas basilares que definem se alguém ou algum grupo religioso é ou não Cristão. Portanto, serão tomadas aqui, neste momento, apenas como contraste da “confissão de fé Espírita” que nega, veementemente, esses inquestionáveis pressupostos para todo aquele que quer ser chamado de Cristão.

Reiteramos nossa expectativa de uma necessária tomada de decisão ao lado desta ou daquela Religião.

3.1- O Espiritismo nega a deidade de Cristo
Apenas esse tópico já seria mais que suficiente para qualquer Cristão descartar por completo a simpatia e a possibilidade de continuar crendo nos dois pressupostos: do Espiritismo e do Cristianismo.

Para o Espiritismo Jesus é o espírito do mais alto nível, o mais desenvolvido e exemplo de perfeição moral, por isso, ele é grande Mestre. Ele não é Deus; é um dos filhos de Deus; é o mestre desse planeta; chegou a um estado de perfeição, conhecimento e pureza através de muitas reencarnações.

Ora, se Jesus, segundo o Espiritismo, não é Deus, como tem afirmado a Cristandade em todo o mundo, e, sim, apenas, um dos seus filhos, que difere de nós apenas na quantidade de vezes em que foi reencarnado, logo devemos concluir que ele é apenas um “simples homem evoluído”, cuja dinâmica do processo de Reencarnação nos levará também, automaticamente, um dia, a alcançar.

Em Obras Póstumas, Kardec falando sobre Jesus, afirma: "Importa, pois, (que) se risquem os milagres do rol das provas sobre que se pretende fundar a divindade da pessoa de Cristo"[13].

Em Gêneses, Kardec destrói a crença mais peculiar do Cristianismo:
Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos puderam ver e tocar. Após a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz. O Espiritismo não só nega a humanidade de Jesus e sua ressurreição corporal, mas também a Sua divindade[14].: "Segundo definição dada por um espírito ele (Jesus) era um médium de Deus (A Gênese, p. 311, 353).

Em um importante fórum Espírita, sobre Jesus é afirmado o seguinte: “O Espiritismo apenas admite o seu caráter humano, e isso em nada pode ser tomado como absurdo. Rejeitando o dogma da divindade de Jesus, o Espiritismo nega somente o que resultou da elaboração de mentes humanas[15].

No Livro dos Espíritos, mais uma vez é confirmada categoricamente a negação da deidade de Cristo, ou seja, a principal razão de ser do Cristianismo é posta por terra:

Nós, os espíritas, sabendo que Jesus não é Deus, mesmo assim temos dificuldade em compreendê-lo na sua plenitude e de assimilar os seus ensinamentos. Isto por ser Jesus um Espírito sublimado, cujo significado cósmico está acima da nossa mortal capacidade para apreender as coisas transcendentais. E por sermos incapazes de limitá-lo com um mero nome ou expressão definidora, é que o Senhor da Vinha vem recebendo através dos séculos incontáveis cognomes, refletindo tal procedimento a nossa ansiedade de melhor conhecer aquele que foi “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”[16].

Concluiremos esse tópico com um dos mais surpreendentes e claros relatos de negação completa da deidade de Cristo e de tudo que caracteriza o Cristianismo, colhido de um dos mais importantes sites Espíritas da atualidade:

O Espiritismo demonstra a impossibilidade de Jesus ser o próprio Deus, afirmando que ele é criatura como todos nós. No entanto, a sua evolução infinitamente maior do que dos homens mais evoluídos da Terra, não é dádiva ou privilégio, e sim conquista. Criado por Deus num tempo infinitamente distante para nós, conquistou a evolução que todos estamos fadados a conquistar um dia [...]. O nosso Jesus não nasceu de uma virgem numa estrebaria em Belém de Judá. Não é unigênito, nem recebeu a visita dos Reis Magos, não foi tentado por inexistentes demônios, nem permanece pregado na cruz. Jesus nasceu e tem nascido em diferentes épocas e lugares nos corações dos homens que descobrem o seu amor. Quase sempre ele aparece em nossa vida num momento de crise, quando sufocamos de dor e desespero. Ele é como o Sol do Meio Dia, ou a luz da alvorada após noite escura e tempestuosa. Sua presença em nossa vida é como o orvalho da madrugada. Ele é o asserenador das tempestades, ordenando aos ventos que se calem, e às ondas que se acalmem. Da mesma forma ele acalma as nossas tempestades interiores, e nos estende a mão quando estamos afundando no mar revolto da vida. O nosso Jesus está sim, de braços abertos, esperando-nos para o amplexo de amor, o ósculo da paz. Aproximamo-nos e ajoelhamo-nos para beijar-lhe os pés. Porém, ele impede o nosso gesto de submissão e aperta-nos contra o seu próprio peito. Depois... Depois abre novamente os braços e seus olhos nos fala claramente: você é livre para ficar ou ir embora... Neste momento, parafraseamos Pedro, e respondemos: Para quem iremos nós, Mestre, se tu tens as palavras de vida eterna?[17].

3.2- O Espiritismo nega a Ressurreição, um dos pilares da fé Cristã

A doutrina Espírita da Reencarnação é a antítese da doutrina Cristã da Ressurreição. São doutrinas auto-excludentes em essência. Nenhuma delas, pelo seu caráter eminentemente religioso, pode ser provada cientificamente; muito embora haja forte reivindicação Espírita para a existência dessas provas em favor da Reencarnação, contudo, ainda não há nenhum registro de publicação científica séria que tenha abonado tal doutrina.

Sobre essas supostas provas, Blank relembra uma velha máxima da sociologia da religião: “toda concepção religiosa produz, por sua vez, as experiências correspondentes a essa mesma concepção”[18]. Portanto, assim como todos os outros temas pertinentes ao binômio Espiritismo versus Cristianismo, esse, e principalmente esse, torna-se uma questão de fé e não de provas. Assim sendo, deve haver uma escolha: “acreditar” na solução Espírita para a vida após a morte – a Reencarnação -, ou “acreditar” na solução do Cristianismo para esse mesmo problema – a Ressurreição.

Ante tal situação, devemos com toda sinceridade, aceitar um fato: a decisão pessoal a favor da Reencarnação ou de uma Ressurreição única e definitiva continua sendo, no fundo, uma decisão de fé. Tal decisão deve ser de cada um. E a única base certa e definitiva que temos é a nossa confiança de não sermos enganados por aqueles que se tornaram a base de nossa decisão. Não podemos escapar da necessidade que temos de decidir. Não é possível andar nos dois trilhos ao mesmo tempo. É o que tantos gostariam de fazer: ser cristãos e adeptos da Reencarnação, ao mesmo tempo. Isso não é possível[19].

Os Espíritas costumam dizer também que a Ressurreição é uma espécie de conclusão lógica da Reencarnação, numa clara tentativa de harmonizar “água e óleo”. Em um famoso site Espírita, numa “ação pedagógica catecismal” – perguntas e respostas – essa idéia é confirmada::

Pergunta 4: O dogma da Ressurreição da carne é a consagração da Reencarnação ensinada pelos Espíritos? Resposta: Como quereis que seja de outro modo? Dá-se com essa expressão o que se dá como tantas outras, que só parecem desarrazoadas aos olhos de certas pessoas que a tomam ao pé da letra e por isso são levadas à incredulidade [...]. A doutrina da pluralidade das existências se conforma à justiça de Deus; somente ela pode explicar o que sem ela é inexplicável. Como quereríeis que esse princípio não estivesse na religião? Pergunta 5: Então a igreja, pelo dogma da ressurreição da carne, ensina a doutrina da Reencarnação? Resposta: Isso é evidente. Essa doutrina é a conseqüência de muitas coisas que passaram despercebidas [...]. Não se pode, portanto, racionalmente admitir a ressurreição da carne, senão como uma figura simbolizando o fenômeno da reencarnação[20].

Essa mesma tentativa de harmonização é feita em outro importante site Espírita: “Assim, quem crê na reencarnação, não nega a ressurreição, como o afirmam, freqüentemente, alguns anti-reencarnacionistas”[21].

Em boa verdade, a interpretação da Ressurreição trazida pelo Espiritismo nega completamente o significado empregado pelo Cristianismo, em toda sua história:

Para nós a ressurreição é a condição do espírito voltar a viver no mundo espiritual de onde veio e no futuro quando atingir a perfeição ela será definitiva. Voltar à carne é reencarnação, ou seja, o espírito que está no momento vivendo no mundo espiritual retorna à carne para uma nova etapa de aprendizado e evolução. Ressurreição da carne é impossível, pois nosso corpo físico ao se decompor devolverá à natureza os elementos de quem tomou emprestado, é o que afirma a ciência. E afirmamos que a ciência é de Deus[22].

Até que ponto existe essa possibilidade de fusão entre esses antigos conceitos?
Vejamos de forma sintética suas definições:

a) Reencarnação: É a volta do espírito ao plano material. Quando o homem morre, o corpo desce à sepultura e o espírito segue para o mundo espiritual. A doutrina da reencarnação sustenta que o espírito retorna à vida terrena, em novo corpo, tantas vezes quantas sejam necessárias. O objetivo desse retorno “é fazê-los chegar à perfeição” e proporcionar um “melhoramento progressivo da Humanidade”. “As reencarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito” (Quesitos 132, 167 e 169 do Livro dos Espíritos)[23]. “A Reencarnação significa a volta do Espírito à vida corpórea, mas num outro corpo, sem qualquer espécie de ligação com o antigo”[24].

b) Ressurreição: Significa a vivificação do corpo morto, não importa quanto tempo esteja nesse estado. Significa o reencontro do espírito com o corpo original: “E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais pelo seu Espírito que em vós habita” (Romanos 8.11). Na vinda do Senhor, “os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro”. Os que estiverem vivos na Sua vinda serão arrebatados e estarão para sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4.16-17). Sob inspiração divina, o apóstolo Paulo declara: “Cremos que Jesus morreu e ressurgiu, assim também cremos que aos que dormem em Jesus, Deus os tornará a trazer com ele” (v.14). A redenção dos cristãos abrange o corpo (Romanos 8.23). Exemplos na Bíblia Sagrada se contrapõem à doutrina da reencarnação. Ao ladrão que se arrependeu, Jesus prometeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). Esse ladrão tinha motivos de sobra para reencarnar umas mil vezes até se tornar perfeito. Jesus perdoou seus pecados e lhe garantiu a vida eterna. Moisés e Elias apareceram na transfiguração de Jesus. Nada indica que tenham retornado à vida corpórea para serem purificados. Foram reconhecidos pela fisionomia original. De acordo com o ensino da Bíblia Sagrada, só há uma separação corpo-espírito, i.e., o homem só morre uma vez: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hebreus 9.27-28). Como vimos, o homem morre e fica aguardando julgamento. Haverá um dia em que todos serão julgados[25].


Essencialmente as doutrinas da Reencarnação e da Ressurreição diferem no seguinte aspecto: Na Ressurreição a alma unir-se-á ao “mesmo corpo”, através de uma ação miraculosa de Deus. Na Reencarnação, a alma uni-se a “outro corpo” completamente diferente do anterior e sem nenhuma espécie de resquício ou ligação. É uma aventura completamente outra.

Estamos diante de duas opções extremamente claras e que explicam, pelo viés da religiosidade, que pressupõe, sempre, o elemento fé, como será a vida após a morte. Assim como são claras essas explicações, também deve ser clara a escolha do “fiel Cristão”.

O Cristianismo Católico e também Protestante já fizeram sua escolha pela Ressurreição. São religiões confessionais como também o Espiritismo o é. Ou seja, elas confessam publicamente e por escrito aquilo em que crêem.

Ninguém é obrigado a ser Cristão Católico ou Protestante. É uma questão de opção, de simpatia, de entendimento pela conformação da verdade. Por isso mesmo, o Cristão, diante de tudo que já mencionamos, terá uma séria escolha a fazer: acreditar e aproximar-se ainda mais dos pressupostos de sua religião como a Ressurreição, por exemplo, ou, ao contrário, abdicar desse título e dedicar-se de corpo e alma aos pressupostos do Espiritismo como o da Reencarnação, por exemplo. É mais justo, mais honesto e mais saudável à sua própria fé.

3.3- A questão das boas obras para o Espiritismo e para o Cristianismo
O Espiritismo é considerado e reconhecido pela sua grande quantidade de obras de caridade. São obras realmente louváveis, do ponto de vista social. Os Espíritas têm diminuído a dor e o sofrimento de muitas pessoas ao longo de toda sua trajetória. São inúmeros orfanatos, abrigos de idosos etc. Por esse aspecto, inclusive, o Espiritismo ganha status de Cristianismo, fazendo quase ocultar as enormes diferenças doutrinárias entre um e outro. Há quem diga que é, na realidade, a única religião que pratica realmente o autêntico Cristianismo:

O Espiritismo, com a ajuda de espíritos mais evoluídos, descobriu as verdades do Cristianismo Primitivo, as quais se identificam plenamente com a essência dos Evangelhos, pois que eram os primeiros cristãos aquelas pessoas que mais ligadas estavam aos autênticos ensinamentos de Jesus, ensinamentos esses que lhes chegaram por intermédio dos próprios apóstolos e primeiros discípulos de Jesus[26].

É fora de qualquer questionamento que Jesus ensinou e mandou que se praticassem as boas obras a todas as pessoas. Nesse sentido, cumprem fielmente aos ensinamentos de Cristo?

Essa quer ser, talvez, a marca Cristã mais forte presente no Espiritismo. Sua eficácia no socorro aos mais necessitados tem arrebanhado milhares de Cristãos, especialmente Católicos, a simpatizarem com suas doutrinas. Essa marca tem sido, sem dúvida, a porta de entrada para o conhecimento, admiração e encantamento com o Espiritismo, de tal forma que crer na Reencarnação é apenas uma conseqüência dessa iniciação contemplativa.

Mas, a questão é: o que os faz cumprir com tanto empenho esse mandamento e realizar o número de obras de caridade que realizam? Será mesmo que a motivação é só “caridade por caridade”? Isto é, amor incondicional e sem “segundas intenções” pelas pessoas sofridas?

Essa indagação é extremante importante para verificarmos o quanto o Espiritismo está perto ou longe dos preceitos reconhecidamente cristãos, uma vez que foi o próprio Cristo quem estabeleceu os moldes e a motivação de toda obra de caridade:

6.1 Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste. 6.2 Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 6.3 Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; 6.4 para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará (Mateus 6:1-4)[27].
Esse texto é emblemático. As ricas lições nele contidas nos advertem que devemos praticar a caridade, contudo, essa prática não pode, em hipótese alguma, ser contaminada por outra intenção que não a de promover a amenização da dor e do sofrimento do próximo. Essas obras de caridades devem ser praticadas, inclusive, em secreto. Não se deve divulgar o que se faz, já que a única motivação, como já dissemos, deve ser o beneficiamento do próximo e não o de quem está praticando a caridade. Curiosamente essa é a fonte da maior admiração dos Cristãos, especialmente Católicos, pelos Espíritas. Aquilo que os faz aproximar-se com um sincero desejo de ter também, assim como os Espíritas, essa condição de piedade, num quase pedido de desculpas por não ver sua religião agir assim, como esse modelo. Mas, tudo isso não deveria ficar em oculto, segundo os preceitos estabelecidos por Jesus?

Qual a motivação do Espírita para a reconhecida aptidão à prática da caridade?

O capítulo II do livro IV do Livro dos Espíritos, que fala das penas e gozos futuros, bem como das condições para a remissão da pena, define que tudo o que recebemos hoje, é conseqüência de nossos atos no passado, e que tudo o que iremos receber no futuro, é conseqüência de nossos atos de agora em diante. Vejamos o texto com alguns grifos:

O estado da alma após o desencarne, estado de felicidade ou de sofrimento, depende dos atos praticados nesta e em outras vidas. Não há recompensa ou sofrimento gratuito e eterno; há sim o resultado da Lei de Causa e Efeito (carma) [...]. A soma das penas é proporcional à soma das imperfeições, assim como o gozo e a felicidade celestial resulta das virtudes cultivadas em vida. Como há uma Lei do Progresso (Lei de Deus) que faculta a todas as almas atingir a perfeição, através do arrependimento, da expiação e da reparação, juntamente com a possibilidade das reencarnações, temos que o inferno é um estado de alma transitório e está em toda a parte onde haja almas sofredoras, assim como o céu está igualmente onde houver almas felizes. O espírito para se libertar do círculo da dor e do sofrimento, inclusive da necessidade de reencarnar, causados pelo uso perverso ou equivocado do livre-arbítrio, que o leva a desrespeitar a Lei de Deus, consciente ou inconscientemente, conhecedor ou ignorante da Lei, necessita expiar as faltas cometidas [...].O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são necessárias e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiveram queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes o reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito [...]. Compreendendo, assim, o significado de penas e recompensas, devemos nos esforçar para reparar as faltas cometidas em vidas anteriores, ou nesta vida mesmo, e aproveitar ao máximo a experiência e a oportunidade na carne, buscando incessantemente o progresso moral [...]. Toda conquista na evolução é problema natural de trabalho, porque todo progresso tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo impõe é débito do passado, que a Lei apresenta à cobrança. Retifiquemos a estrada, corrigindo a nós mesmos. Resgatemos nossas dívidas, ajudando e servindo sem distinção. Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora no mal amanhã[28].

Qual a motivação do Espírita para a reconhecida aptidão à prática da caridade? Não seria, ao contrário do que ensinou Jesus, uma espécie de “auto-caridade”? Se fosse possível retirar-lhes a doutrina do Carma, ainda seriam conhecidos por sua caridade? A idéia de praticar caridade para “obter algum tipo de benefício” está tão distante do ensinamento de Cristo quanto pode estar.

CONCLUSÃO
Diante do que expomos, esperamos ter deixado claro que não há possibilidade de intercâmbio, nem de nenhuma espécie de ecumenismo entre o Cristianismo, especialmente em suas vertentes mais conhecidas - Catolicismo e Protestantismo – e o Espiritismo; pelo menos na perspectiva do fiel. Isso não significa, em hipótese alguma, intransigência e impossibilidade de diálogo inter-religioso, entendido como o respeito pela crença do outro.

Também não estamos na contramão, necessariamente, dos recentes avanços da Ciência da Religião, isto é, o diálogo Inter-Religioso, a Interdisciplinaridade e, mais recentemente, a Transdisciplinaridade. Entendemos que as buscas pelo “Terceiro Incluído” podem significar, segundo seus defensores, o fim das lutas e das guerras religiosas, em seus mais variados níveis. Contudo, entendemos também que essa categoria não se aplica no caso de nossa análise e por um motivo muito simples: estamos tratando de crenças confessionais. Ou seja, com religiões que pré-definem, por escrito, aquilo que crêem e que seus adeptos devem crer. Para “incluir” uma terceira possibilidade, isto é, crer na Ressurreição e na Reencarnação, ao mesmo tempo, por exemplo, como marcas desses modelos religiosos, seria necessário a “recriação” tanto de uma Religião quando da outra.

Além disso, lembramos que “A lógica do terceiro incluído não abole a lógica do terceiro excluído: ela apenas limita sua área de validade”[29]. Em nossa avaliação, o tema abordado por esse artigo não extrapola essa área de validade.

Por quanto essa “nova lógica” esteja sendo comemorada, lembramos ainda que ela sofre duras críticas e que não há unanimidade quando à sua utilização em outras áreas de conhecimento que não a física quântica:

Edgar Morin explicitamente faz crítica à transdisciplinaridade como sendo um processo de nadificação do ser. É verdade que se alega a necessidade de uma religação dos saberes; que se critica o racionalismo estreito e se quer uma abertura para o complexo, o contraditório, o plural [...]. Mas a diferença é que os pensadores de hoje chegam na maior parte das vezes a uma pulverização total da realidade. É uma transdisciplinaridade que não dá liga, não faz sentido. Não há nada que a unifique, porque tudo é aleatório[30].

Respeito, diálogo, mas também coerência de confessionalidade. Saber em que crer não significa, necessariamente, querer impor sua religiosidade sobre a do outro.

BIBLIOGRAFIA

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http://www.unicap.br/observatorio/pages/grupos_de_estudos/8.3..doc
http://www.hottopos.com/rih6/dora2.htm
[1] Conforme: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/apaiva/brasil-pais-mais-espirita.html. O importante expoente Espírita, Divaldo Pereira Franco, em entrevista ao Jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza, explica os motivos que tornam o Brasil o maior país Espírita do mundo: Diário - Mas por que o Brasil é o maior país espírita do mundo? Divaldo - Pela nossa miscigenação. Nossas heranças indígenas e africanas. E também por causa da cultura européia, portuguesa. O português é um povo muito crente. Veja a mudança dos deuses convencionais realizada no Brasil pela nossa herança africana. São muitas. Oxalá é o Senhor do Bonfim; Janaína é Nossa Senhora. Quando o espiritismo chegou ao Brasil, por volta de 1875, houve uma reação acadêmica e clerical, hoje suplantada. Por outro lado, as doutrinas ortodoxas estão em crise por causa da decadência dos valores e o academicismo encontra-se arrebentado em conseqüência das conquistas modernas. Tudo que era paradigma no Século XX, não é mais no Século XXI, conforme: http://www.mundoespirita.com.br.[2] Conforme Federação Espírita Brasileira, disponível em: http://www.febnet.org.br/site/conheca.php.[3] Conforme http://www.mundoespirita.com.br/index.php?act=conteudo&conteudo=874.[4] Conforme: http://veja.abril.com.br/110505/p_112.html[5] CHAVES, Jose Reis. A reencarnação: segundo a bíblia e a ciência. 1998, p.156[6] Chaves, 1998. P.59.[7]Conforme: http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/especiais/chico_xavier/historico.shtml[8] Conforme: http://mulhernoislam.blogspot.com/2010/02/por-que-os-convertidos-mudam-de-nome.html, acessado em 19/08/2010.[9] KLOPPENBURG, Boaventura. O Espiritismo no Brasil: orientação para os católicos. Petrópolis: Vozes, 1960, p.369[10] Conforme:http://www.portaldoespirito.com.br/portal/artigos/paulosns/espiritismo-eh-cristao.html.[11] LÉON.Denis. Cristianismo e Espiritismo. FEB. 2002., p.40.[12] Emmanuel; XAVIER, Francisco Cândido. Há 2000 anos: episódios da história do cristianismo no século I : romance 18 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1983. p.27.[13] KARDEC, Allan. Obras póstumas. 9. ed. Rio de janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1942.p.126.[14] KARDEC, Allan. A gênese: Os milagres e as predições segundo o espiritismo. 28. ed. Rio de Janeiro: Feb, 1985. P.311,347.[15]http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/quem-e-jesus-e-qual-a-sua-missao-segundo-espiritismo/[16] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos: . 87. ed. São Paulo: Instituto de difusão espírita, 1994. 625[17]http://www.espirito.org.br/portal/artigos/amilcar/jesus-para-o-espiritismo.html, acessado em 27/07/2010.[18] BLANK, Renold J., Reencarnação ou ressurreição: Uma decisão de Fé. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1995. p.8.[19] BLANK, 1995, p.10.[20] Conforme: http://www.comunidadeespirita.com.br/perguntasresp/ressurreicao%20x%20reencarnacao.htm[21] Conforme: www.espirito.org.br/portal/artigos/jose-chaves/a-universidade.html[22] Conforme:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/presbiterianismo-e-reencarnacao.html
[23] http://blogespiritismo.blogs.sapo.pt/50338.html[24] Conforme: http://www.ceismael.com.br/artigo/reencarnacao.htm[25] Conforme: http://blogespiritismo.blogs.sapo.pt/50338.html[26] Conforme: http://www.espirito.com.br/portal/artigos/jose-chaves/cristianismo-e-espiritismo.html[27] Conforme: http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=71[28] KARDEC, 1994. XIV.[29] Conforme: http://www.unicap.br/observatorio/pages/grupos_de_estudos/8.3..doc[30] Conforme: http://www.hottopos.com/rih6/dora2.htm

sábado, 28 de agosto de 2010





Uma situação a ser observada e que na maioria das vezes passa por despercebida, é a nomenclatura que os chamados “pastores” querem utilizar sobre as ovelhas para preenchimento de seu ego, qual seja, serem chamados de “LÍDERES”…

Em relato algum das Sagradas Escrituras, em especial através da nova Aliança que Jesus cumpriu na cruz do Calvário, em o Novo Testamento que, em síntese, é o espelho da igreja atual, jamais encontramos um só versículo que designa tal terminologia, “LÍDER”…


Por relatos das Sagradas Escrituras, deparamos como nosso irmão Pedro em sua primeira epístola, capítulo 5, versículos de 1 a 4, onde em humildade, dá os desígnios do “verdadeiro homem de Deus”:

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”.

Portanto, um verdadeiro pastor, apascenta, cuida, ama, dá exemplo…

... um verdadeiro líder, chefia, tem dominação baseada no prestígio pessoal.

Pois bem, aos pastores (presbíteros, bispos), se estes errarem, não há impedimento algum por vontade divina, que não devemos apontar os erros, antes pelo contrário, “aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” [1Timóteo 5.20];

E, é neste sentido que Paulo repreende a Pedro na presença de todos [Gálatas 2.11-14].

Todos têm o conhecimento que a critica ensina a melhorar uma pessoa, a refletir quanto aos atos, ações, porquanto, aquele que não aceita critica não é apto a conduzir o rebanho do Senhor!

Infelizmente, muitos pastores interpretando versículos bíblicos a seu bel prazer e conveniência, transmitem este ensinamento que não devem ser criticados, e muitos engolem isto e se calam diante os erros pastorais...

Em outro sentido, a linguagem que muitos pastores transmitem é a do medo!

Sem nos esquecer da tão famosa afirmação: pastores são “ungidos do Senhor”... e por que seus defensores dizem que só Deus poderá julgá-los?

Esses homens (que alguns numa insanidade bíblica os chamam de “ungidos de Deus”) estão acima da lei de Deus?

É urgente e primordial um “basta” e parar com essa atitude de achar que homens que pregam o evangelho são melhores que os outros!

Todos somos seres humanos e sujeitos a erros e acertos; ser pastor não coloca ninguém acima do bem ou do mal.

Muitos, mas muitos, não têm capacidade de ter autoridade pela verdade do que dizem e vivem, então empurram certa “autoridade” garganta abaixo de seus discípulos em forma de ameaças usando pretextos bíblicos sem sentido, pois que, a verdadeira “autoridade” somente é a Jesus!

Nada pode calar a voz da justiça, porque “nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.” [Marcos 4.22].


Por Cristo. Em Cristo. Para Cristo. Nos interesses de Sua Igreja.

sábado, 14 de agosto de 2010

As Mulheres Devem Servir como Pastoras?




Thomas R. Schreiner é professor de interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky, onde ocupa a renomada cadeira James Buchanan Harrison. Seu livro mais recente é Run to win the prize: perseverance in the New Testament (Crossway, 2010).
As pessoas ocasionalmente perguntam-me se as mulheres devem servir no ministério. Minha resposta é sempre: “Sim, é claro! Todos os crentes são chamados para servir e ministrar uns aos outros.”
Entretanto, eu responderia de maneira diferente se a pergunta fosse mais precisamente assim: “Há ministérios nos quais as mulheres não devem servir?” Eu argumentaria que o Novo Testamento claramente ensina que as mulheres não deveriam servir como pastoras (função à qual o Novo Testamento também faz referências usando as palavras bispos ou anciãos). Fica claro no Novo Testamento que os termos pastor, bispo e ancião referem-se à mesma função (cf. At 20.17, 28; Tt 1.5, 7; 1 Pe 5.1-2) e, no restante deste texto, usarei os termos “ancião” e “pastor” alternadamente para designar essa função.
A PROIBIÇÃO DE PAULO EM 1 TIMÓTEO 2.12
O texto fundamental que estabelece que as mulheres não deveriam servir como anciãs é 1 Timóteo 2.11-15. Lemos no verso 12: “Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem” (NVI). Nessa passagem, Paulo proíbe que as mulheres realizem duas atividades que caracterizam o ministério dos anciãos: ensino e exercício de autoridade. Dentre outras partes, vemos isso nos trechos referentes às qualificações para a função: Os anciãos devem ter habilidade para ensinar (1 Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9; cf. At 20.17-34) e para liderar a igreja (1 Tm 3.4-5; 5.17). As mulheres são proibidas de ensinar aos homens e de exercer autoridade sobre eles e, portanto, não devem servir como anciãs.
Essa proibição ainda está em vigor?
Mas, a ordem de que as mulheres não devem ensinar aos homens nem exercer autoridade sobre eles foi planejada para estar em vigor hoje? Muitos argumentam que Paulo proibiu as mulheres de servirem como anciãs porque nos dias dele, as mulheres não recebiam educação e, portanto, eram desprovidas da habilidade de ensinar bem aos homens. Também existe o argumento de que as mulheres eram responsáveis pelo ensino falso que estava preocupando a congregação à qual Paulo escreveu em 1 Timóteo (1 Tm 1.3; 6.3). De acordo com essa leitura, Paulo apoiaria o serviço dessas mulheres como pastoras depois que elas fossem apropriadamente educadas, e se ensinassem sã doutrina.
A proibição está fundamentada na criação, não em circunstâncias.
Essas tentativas de relativizar a proibição de Paulo devem ser julgadas como malsucedidas. Teria sido fácil para Paulo escrever: “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque elas não foram educadas”, ou, “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque estão espalhando ensino falso”. Contudo, qual razão Paulo realmente apresenta para a sua ordem no verso 12? A base lógica dele para tal ordem vem no verso seguinte: “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva” (v. 13). Paulo não diz nada quanto a falta de educação ou quanto a mulheres promulgando ensino falso. Em vez disso, ele refere-se à ordem criada, à boa e perfeita intenção de Deus quando formou os seres humanos. É essencial cuidar para que a referência à criação indique que a ordem de as mulheres não ensinarem nem exercerem autoridade sobre os homens seja uma palavra transcultural, uma proibição ligada à igreja em todas as épocas e em todos os lugares. Ao dar essa ordem, Paulo não remonta à criação caída, às consequências sofridas pela vida humana como um resultado do pecado. Mais propriamente falando, ele fundamenta a proibição em toda a boa criação que existiu antes de o pecado entrar no mundo.
O motivo principal pelo qual as mulheres não deveriam servir como pastoras é comunicado aqui e, assim, o argumento da criação não pode ser rejeitado como limitado culturalmente. Além disso, o Novo Testamento contém muitas referências semelhantes à ordem criada. Por exemplo, o homossexualismo não está em harmonia com a vontade de Deus porque é “contrário à natureza” (Rm 1.26); ou seja, ele viola o que Deus pretendia quando fez seres humanos como homens e mulheres (Gn 1.26-27). Semelhantemente, Jesus ensina que o divórcio não é o ideal divino desde que, na criação, Deus fez um homem e uma mulher, significando que um homem deveria casar-se com uma mulher “até que a morte os separe” (Mt 19.3-12). Assim, também, toda comida deve ser recebida com gratidão desde que é um dom da mão criadora de Deus (1 Tm 4.3-5).
Em 1 Timóteo 2.11-15, Paulo especificamente fundamenta sua proibição de mulheres ensinando e exercendo autoridade na ordem da criação, isto é, que Adão foi criado primeiro e, depois, Eva (Gn 2.4-25). A narrativa em Gênesis é construída cuidadosamente, e Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, nos ajuda a ver o significado de Eva sendo criada depois de Adão. Os críticos ocasionalmente objetam que o argumento não convence desde que os animais foram criados antes dos seres humanos, mas isso falha em compreender o objetivo de Paulo. Só os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27) e, portanto, o apóstolo comunica o sentido de Deus criar o homem antes de criar a mulher, isto é, que o homem tem a responsabilidade de liderar.
Em 1 Timóteo 2.14, Paulo apresenta um segundo motivo pelo qual as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. O que Paulo pretende dizer aqui provavelmente não é que as mulheres são mais propensas a cometer erros do que os homens, pois em outro trecho as recomendou como professoras de mulheres e crianças (Tt 2.3; 2 Tm 1.5; 3.14-15), o que ele não faria se as mulheres fossem, por natureza, inclinadas ao engano. É possível que Paulo estivesse, mais uma vez, pensando no relato da criação, pois a serpente subverteu a ordem criada ao enganar Eva em vez de Adão (subvertendo, assim, a liderança masculina), ainda que exista evidência de que Adão estava com Eva quando a tentação ocorreu (Gn 3.6). O verso 14 não ensina que as mulheres são desprovidas de educação, porque engano é uma categoria moral, enquanto que falta de educação é remediada com o recebimento de instrução.
O fato de Eva haver sido enganada não pode ser atribuído a fraqueza intelectual, mas sim à rebeldia dela, ao desejo dela de ser independente de Deus. Além disso, a referência a engano aqui não indica que as mulheres de Éfeso tiveram um papel principal na difusão de ensinos falsos, pois os falsos mestres mencionados em 1 Timóteo são homens (1 Tm 1.20). De fato, se as mulheres fossem impedidas de ensinar por serem defensoras de ensinos falsos, teríamos a estranha e muito improvável situação em que todas as cristãs em Éfeso teriam sido enganadas por um falso ensino. Antes, a intenção de Paulo é dizer que o fato de Satanás haver tentado Eva em vez de Adão subverteu a liderança masculina, pois ele enganou e tentou a mulher apesar de Adão estar presente com Eva quando a tentação ocorreu. É verdade que, embora Eva tenha sido enganada antes pela serpente, a principal responsabilidade pelo pecado caiu sobre os ombros de Adão. Isso é evidente em Gênesis 3, pois o Senhor fala primeiro com Adão sobre o pecado do casal, e isso é confirmado por Romanos 5.12-19, onde a pecaminosidade da raça humana é traçada desde Adão e não de Eva.
Resumindo, 1 Timóteo 2.12 proíbe que as mulheres ensinem ou exerçam autoridade sobre homens na igreja. Essa proibição fundamenta-se na ordem da criação e é confirmada pela inversão de papéis que ocorreu na queda. Essa não é uma proibição limitada cultural ou contextualmente, que não aplica-se mais às igrejas.
O TESTEMUNHO CONFIRMATIVO DO RESTANTE DAS ESCRITURAS
O que aprendemos sobre os papéis dos homens e das mulheres tomando por base a criação dos mesmos.
O que vemos a respeito dos papéis dos homens e das mulheres no restante das Escrituras confirma o que lemos em 1 Timóteo 2.11-15. O livro de Gênesis dá seis evidências quanto aos maridos terem a responsabilidade principal da liderança no casamento: 1) Deus criou Adão primeiro e, depois, Eva. 2) Deus deu a Adão, e não a Eva, a ordem de não comerem do fruto da árvore. 3) Adão deu nome à “mulher”, assim como havia dado nome aos animais, indicando a sua autoridade (Gn 2.19-23). 4) Eva foi designada como “auxiliadora” de Adão (Gn 2.18). 5) A serpente enganou Eva e não Adão, subvertendo, assim, a liderança masculina (Gn 3.1-6); e 6) Deus veio primeiro a Adão, não obstante Eva houvesse pecado antes (Gn 3.9; cf. Rm 5.12-19).
O que aprendemos no ensino bíblico a respeito do casamento
O texto de Gênesis que foi mencionado concorda com o que descobrimos sobre casamento no Novo Testamento. Os esposos têm a responsabilidade principal da liderança, e as esposas são chamadas a submeterem-se à liderança de seus esposos (Ef 5.22-33; Cl 3.18-19; 1 Pe 3.1-7). O chamado à submissão para a esposa não está fundamentado em meras normas culturais, pois ela é chamada a submeter-se a seu esposo assim como a igreja é chamada a submeter-se a Cristo (Ef 5.22-24). Paulo designa o casamento como um “mistério” (Ef 5.32), e o mistério é que o casamento reflete o relacionamento de Cristo com a igreja. Então, a ordem para que os homens, e não as mulheres, sirvam como pastores concorda com o padrão bíblico de liderança e autoridade masculina dentro do casamento.
É crucial observar que um papel diferente para as mulheres não significa a inferioridade delas. Homens e mulheres foram igualmente criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27). Eles têm igual acesso à salvação em Cristo (Gl 3.28) e, juntos, são herdeiros da grandiosa salvação que é nossa em Jesus Cristo (1 Pe 3.7). Os escritores bíblicos não lançam calúnias sobre a dignidade, inteligência e personalidade das mulheres. Vemos isso ainda mais claramente quando reconhecemos que, assim como Cristo submete-se ao Pai (1 Co 15.28), as esposas devem submeter-se aos seus esposos.
Cristo é igual ao Pai em dignidade e valor e, assim, sua submissão não pode ser compreendida como um indicador de inferioridade.
O que aprendemos em outras passagens sobre mulheres na igreja
1 Timóteo 2.11-15 não é o único texto que requer um papel diferente para homens e mulheres na igreja. Em 1 Coríntios 14.33b-36, Paulo ensina que as mulheres não devem falar na igreja. Essa passagem não proíbe que as mulheres falem absolutamente na assembléia, pois Paulo as encoraja a orarem e profetizarem na igreja (1 Co 11.5). O princípio de 1 Coríntios 14.33b-36 é que as mulheres não deveriam falar de uma maneira segundo a qual se rebelassem contra a liderança masculina ou tomassem sobre si uma autoridade injustificada, e esse princípio está em harmonia com a noção em 1 Timóteo 2.11-15, de que as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens.
Outro texto que nos direciona ao mesmo caminho é 1 Coríntios 11.2-16. Já vimos nessa passagem que Paulo permitiu às mulheres orarem e profetizarem na assembléia. É primordial entendermos que profecia não é um dom igual ao do ensino, pois os dons são distintos no Novo Testamento (1 Co 12.28). As mulheres serviram como profetas no Antigo Testamento, mas nunca como sacerdotisas. Semelhantemente, elas serviram como profetas no Novo Testamento, mas nunca como anciãs. Além disso, 1 Coríntios 11.2-16 deixa claro que quando as mulheres profetizassem, elas deveriam adornar-se de uma maneira que demonstrasse submissão à autoridade e liderança masculina (1 Co 11.3). Isso está de acordo com o que vimos em 1 Timóteo 2.11-15. As mulheres não são a liderança reconhecida da congregação e, portanto, não devem servir como professoras e líderes da congregação. O assunto fundamental em 1 Coríntios 11.2-16 não é o adorno das mulheres. Em todo caso, os estudiosos não estão certos de que o adorno descrito representa um véu ou um modo de usar o cabelo preso. Tal adorno era exigido nos dias de Paulo porque significava que as mulheres eram submissas à liderança masculina. Hoje, o modo como uma mulher usa seu cabelo, ou o fato de usar o véu não significa que ela é submissa ou não aos homens na liderança. Assim, deveríamos aplicar o princípio (ainda que não utilizemos a prática cultural específica) ao mundo de hoje: as mulheres deveriam ser submissas à liderança masculina, o que se manifesta em não servir como pastoras e professoras de homens.
CONCLUSÃO
As Escrituras claramente ensinam sobre os papéis únicos das mulheres na igreja e no lar. Elas são iguais aos homens em dignidade e valor, entretanto, possuem um papel diferente nesta jornada terrena. Deus deu-lhes muitos dons diferentes com os quais elas podem servir à igreja e ao mundo, mas elas não devem servir como pastoras. O Senhor não deu suas ordens para punir as mulheres, mas para que elas possam servi-lo com alegria, de acordo com a vontade dele.

domingo, 8 de agosto de 2010

Nosso Resgate – John Piper






... o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. Marcos 10.45

Não existe na Bíblia a idéia de que Satanás deva ser pago a fim de permitir que os pecadores sejam salvos. O que aconteceu a Satanás quando Cristo morreu não foi pagamento, foi derrota. O Filho de Deus tomou-se humano para que "por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hb 2.14). Não houve negociação

Quando Jesus disse que veio "dar a sua vida em resgate", o foco não estava em quem recebe o pagamento. O foco é sua própria vida em pagamento, e sua liberdade de servir em vez de ser servido, e dos "muitos" que se beneficiariam do pagamento feito por ele.

Se perguntarmos quem recebeu o resgate, a resposta bíblica certamente será Deus. A Bíblia diz que Cristo "se entregou por nós... como oferta... para Deus" (Ef 5.2). Cristo "a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus" (Hb 9.14). Toda a necessidade de um substituto que morresse em nosso lugar é porque nós pecamos contra Deus e estamos destituídos da glória de Deus (Rm 3.23). Devido ao nosso pecado, "todo o mundo é culpável perante Deus"

(Rm 3.19). Assim, quando Cristo se entrega como resgate por nós, a Bíblia diz que somos libertos da condenação de Deus. "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). O cativeiro máximo do qual precisamos libertação é o do juízo final de Deus (Rm 2.2; Ap 14.7).

O preço do resgate dessa libertação da condenação divina é ávida de Cristo. Não apenas ávida que ele viveu, mas sua vida entregue na morte. Jesus disse repetidas vezes aos seus discípulos: "O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará" (Mc 9.31). De fato, uma das razões pelas quais Jesus gostava de ser chamado de "Filho do Homem" (mais de sessenta e cinco vezes nos Evangelhos) foi que tinha um sonido de mortalidade nesse nome. Os homens podem morrer. E por essa razão que ele tinha de ser homem. O resgate só poderia ser pago pelo Filho do Homem, porque o resgate era uma vida entregue na morte.

O preço não foi forçado dele. E daí que ele diz: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir". Ele não precisava de nosso serviço. Ele era o doador, não o receptor. "Ninguém a tira (minha vida) de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la" (Jo 10.18). O preço foi pago livremente. Não houve coação. O que nos leva novamente ao seu amor. Ele escolheu livremente salvar-nos ao preço de sua vida.

A quantas pessoas Cristo efetivamente resgatou do pecado? Ele disse ter vindo dar sua vida em resgate por muitos. Contudo, nem todas as pessoas serão resgatadas da ira de Deus. Mas a oferta é para todos. "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos" (1 Tm 2.5,6). Ninguém é excluído dessa salvação que abarca todos os tesouros do Cristo redentor.

Livres do cativeiro do medo da morte – John Piper






Esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espirito, que em vós habita Romanos 8.11


Visto que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Hebreus 2.14,15


Jesus chamou Satanás de assassino. "Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade... é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44). Mas o maior interesse do diabo não é matar. Ele quer condenar ao inferno. Na verdade, Satanás prefere que seus seguidores tenham aqui vida longa e feliz - para debochar dos santos que sofrem e esconder os horrores do inferno.

Seu poder de condenar os seres humanos não está nele mesmo, mas nos pecados que ele inspira e nas mentiras que ele conta. A única coisa que condena alguém ao inferno é o pecado não perdoado. Maldições, encantamentos, vudu, macumbas, sessões espíritas, magia negra, aparições, vozes - nada disso sozinho lança a pessoa no inferno. São apenas os sinos e apitos do diabo. A única arma letal que Satanás possui é o poder de nos enganar. Sua principal mentira é que a exaltação de si mesmo seja mais desejá¬vel do que a exaltação de Cristo, e o pecado seja preferível à santidade. Se essa arma pudesse ser retirada de sua mão, ele não teria mais o poder da morte eterna.

Cristo veio para isso - tirar a arma da mão de Satanás. Para tanto, Cristo tomou sobre si os nossos pecados e sofreu por eles. Quando isso aconteceu, eles não podiam mais ser usados pelo diabo para nos destruir. Zombar de nós? Sim. Debochar de nós? Sim. Mas nos condenar ao inferno? Não. Cristo veio e levou a maldição em nosso lugar. Por mais que ele tente, Satanás não pode nos destruir. A ira de Deus foi removida. Sua misericórdia é o nosso escudo. E Satanás não obterá sucesso contra nós.

Para realizar essa libertação, Cristo teve de tomar a natureza humana porque, sem ela, ele não poderia experimentar a morte. Só a morte do Filho de Deus poderia destruir aquele que tinha o poder da morte. Assim, a Bíblia diz: "Visto... que os filhos têm participação comum de carne e sangue [tinham uma natureza humana] destes também ele, igualmente, participou [assumiu uma natureza humana] para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hb 2.14). Quando Cristo morreu pelos pecados, tomou da mão do diabo a única arma que este tinha contra nós: o pecado não perdoado.

Ao fazer isso, era meta de Cristo livrar-nos do medo. Ao morrer ele libertou "... todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hb 2.14). O medo da morte escraviza. Ele nos faz tímidos e apagados. Jesus morreu para livrar-nos. Quando esse medo da morte é destruído por um ato de amor e sacrifício próprio, é quebrada a escravidão chata e egocêntrica da auto-preservação. Somos livres para amar como Cristo, ainda que ao preço de nossa vida.

O diabo pode até matar nosso corpo, mas não pode mais matar a alma. Ela está segura em Cristo. Mesmo o nosso corpo mortal um dia será ressuscitado. "Esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita" (Rm 8.11). Somos os mais livres dentre os povos. E a Bíblia não deixa dúvidas quanto ao motivo dessa liberdade:"... vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor" (Gl 5.13).